Fazendas Verticais. O Futuro Da Produção De Vegetais?

Olá pessoal.

Neste segundo post do Blog da Semente Urbana, vamos conversar um pouco sobre o que são Fazendas Verticais, seus tipos e quais os problemas que elas visam resolver.

INTRODUÇÃO

Antes de falar das Fazendas Verticais, é importante entender o contexto no qual vivemos em relação à produção de alimentos.

É cada vez mais claro que estamos causando grandes impactos ao nosso planeta. São vários os estudos falando sobre o aquecimento global e seus fatores. Você sabia que hoje cerca de 70% da água doce consumida no mundo vai para a agricultura? E que cerca de 30% de tudo que é produzido é desperdiçado ao longo do processo? Sabia que todas as áreas boas para cultivo já estão sendo utilizadas? E que é estimado um aumento populacional na casa de 30% até o ano de 2050? Pois bem, neste cenário a ONU estima que seja necessário um aumento de cerca 70% na produção de alimentos para suprir a demanda. A pergunta final é: como fazer isso?

Se quiser saber mais sobre isso, veja nosso post Somos Sustentáveis na Produção de Alimentos?

Neste cenário, cada vez mais se fala que precisamos encontrar meios de produzir mais em menos espaço e com menos impacto. É aí que entram as fazendas verticais!

FAZENDAS VERTICAIS

Pois bem, agora que entendemos o contexto da produção de alimentos, vamos conhecer as Fazendas Verticais e como elas resolvem cada um dos problemas citados.

Definição

Fazendas Verticais (Vertical Farms) são estruturas de cultivo de vegetais dispostas normalmente em prateleiras. Normalmente empregam uma série de tecnologias para criação de ambientes de agricultura controlados (CEA – controlled-environment agriculture) com o intuito de otimizar o crescimento dos vegetais e acabar com a sazonalidade. Normalmente são empregadas técnicas de cultivo sem solo, tais como a hidroponia e a aeroponia.

Cultivo de alface em um sistema de cultivo vertical indoor. Fonte: Wikipedia

O conceito Vertical Farm foi proposto em 1999 por Dickson Despommier, professor da Universidade Columbia durante um trabalho com seus alunos que juntos desenvolveram o projeto de um arranha-céu para a cidade de Nova Iorque capaz de gerar alimento para 50.000 pessoas. Embora o projeto ainda não tenha sido construído, ele popularizou com sucesso a ideia da agricultura vertical. As aplicações atuais de plantações verticais, juntamente com outras tecnologias de ponta, como lâmpadas LED especializadas, resultaram em aumento de produção na casa de 10 vezes mais se comparado aos métodos agrícolas tradicionais.

A principal vantagem de utilizar Fazendas Verticais é o aumento do rendimento da colheita que vem com uma grande redução na área necessária, ou seja, produzir mais em menos espaço

Atualmente, já é possível ver uma série de iniciativas nos mais variados estágios de desenvolvimento ao redor do mundo. No Brasil este conceito ainda é bem recente e a Semente Urbana vem trabalhando duro para tornar isso uma realidade por aqui.

Técnicas de cultivo empregadas em fazendas verticais

Como mencionado previamente, em fazendas verticais, normalmente são empregadas técnicas de cultivo sem solo. Dessa forma é possível que se tenha estruturas mais leves e principalmente um controle maior sobre a nutrição e irrigação das plantas. Dentre as técnicas mais comuns estão a hidroponia, a aeroponia e a aquaponia. Caso queira saber mais sobre essas técnicas, temos um post exclusivo sobre isso (acesse aqui).

Tipos de fazendas verticais

Essas fazendas podem ser adicionadas aos mais variados ambientes e isso fica muito interessante pois podemos reutilizar estruturas dos mais variados tipos, tais como galpões, salas, containers e garagens bem como criar novos ambientes. Temos um post que explica com mais detalhes essas estruturas (acesse aqui). Abaixo temos duas opções criativas

No Japão, a empresa Mirai Inc, transformou um galpão que abrigava uma fábrica de semicondutores em uma fazenda enorme, citada como a maior fazenda vertical do mundo por bastante tempo. A capacidade produtiva? 10.000 alfaces por dia! Além dessa fazenda, a Mirai já possuí algumas outras, inclusive fora do Japão!

Fazenda vertical Mirai. Fonte: Mirai Inc

Um outro caso super interessante é o da empresa Growing Underground que transformou uma das câmaras de um antigo bunker da segunda guerra mundial (sim, você leu certo rsrsrs) que fica embaixo da cidade de Londres na Inglaterra em uma fazenda vertical!!!

Abaixo das ruas de Londres, existe um bunker da segunda guerra mundial que hoje abriga uma fazenda vertical. Fonte: Victoria Belton/CBC

Poderíamos citar vários exemplos, porém isso deixaria o post muito extenso. Para ver mais exemplos, veja nosso post sobre os tipos de fazendas verticais (acesse aqui)

Segundo este artigo, as fazendas verticais apresentam uma série de vantagens e desvantagens, algumas delas estão descritas abaixo.

Vantagens

As necessidades de terras aráveis da agricultura tradicional são muito grandes e invasivas para permanecerem sustentáveis para as gerações futuras. Com as taxas de crescimento populacional cada vez mais rápidas, espera-se que a terra arável por pessoa caia cerca de 66% em 2050 em comparação com 1970. A agricultura vertical permite, em alguns casos, mais de dez vezes o rendimento da colheita por metro quadrado do que os métodos tradicionais. Ao contrário da agricultura tradicional, a agricultura interna pode produzir safras o ano todo. A agricultura durante toda a temporada multiplica a produtividade da superfície cultivada por um fator de 4 a 6, dependendo da cultura. Com safras como morangos, o fator pode chegar à 30!

A agricultura vertical também permite a produção de uma variedade maior de colheitas devido ao uso de setores de cultivo isolados. Ao contrário de uma fazenda tradicional onde um tipo de safra é colhido por temporada, as fazendas verticais permitem que uma grande variedade de culturas diferentes sejam cultivadas e colhidas ao mesmo tempo.

De acordo com o USDA (United States Department of Agriculture) os produtos agrícolas verticais percorrem apenas uma curta distância para chegar às lojas em comparação com os produtos agrícolas tradicionais.

Pensando na estimativa de crescimento populacional e da parcela de habitantes nos grandes centros. A agricultura vertical é a resposta prevista pelo USDA para a potencial escassez de alimentos à medida que a população aumenta. Este método de cultivo é ambientalmente responsável, reduzindo as emissões e reduzindo a água necessária. Esse tipo de agricultura urbana, que permitiria quase que imediatamente o transporte entre fazenda e consumidor, reduziria drasticamente a logística necessária.

Em um workshop sobre agricultura vertical promovido pelo USDA e pelo Departamento de Energia, especialistas em agricultura vertical discutiram o melhoramento de plantas, manejo de pragas e engenharia. O controle de pragas (como insetos, pássaros e roedores) é facilmente manejado em fazendas verticais, porque a área é muito bem controlada. Sem a necessidade de pesticidas químicos, a capacidade de cultivo orgânico é mais fácil do que na agricultura tradicional.

Além disso, o cultivo em ambientes internos protege as plantas de intempéries climáticas que podem causar a perda da produção como acontece nos métodos tradicionais bem como reduzir a sazonalidade causada pelas estações do ano. Nas fazendas verticais internas, é possível simular o dia ideal 365 dias por ano.

Desvantagens

Como desvantagem, o custo de montagem ainda é maior se comparado à estufas tradicionais. Porém, este cenário vem mudando rapidamente com os avanços tecnológicos que fazem com que estas sejam mais acessíveis, um exemplo são as lampadas de LED que a cada ano tem se tornado mais baratas e facilmente encontradas.

Além disso, fazendas verticais consomem mais energia elétrica uma vez que possuem iluminação artificial e controle de clima que não são empregados nos cultivos tradicionais. Isso ainda representa um custo alto, porém com os grandes avanços que estamos presenciando nessa área, tais como novas fontes de energia e redução dos custos destas (um exemplo é a energia solar) e a constante melhoria nos equipamentos para redução do consumo, este cenário está cada vez menos impactante.

CONCLUSÃO

Com base no que vimos hoje, o que você acha sobre isso? Em sua visão, quais os pontos positivos e negativos?

Conta pra mim nos comentários, será um prazer continuar a conversa por lá.

Muito obrigado pela atenção e até o próximo post!

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